Em entrevista ao Podcast SE Notícias, apresentado por David Brandão e Orácio Oliveira, o presidente do Sintasa, Janderson Alves, afirmou que o pagamento do piso via complementação “não incorpora” na carreira, reduz adicionais e pode comprometer aposentadorias. Sindicato também levou ao novo secretário da Saúde pauta sobre mudança de nomenclatura na FHS, isonomia para QPE e revisão do PCCV
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), Janderson Alves, foi o primeiro entrevistado do Podcast SE Notícias nesta segunda-feira, 19 de janeiro, e elencou o que chamou de “gargalos históricos” na valorização de trabalhadores da saúde no estado. Entre os pontos centrais, ele criticou a forma como o piso da enfermagem vem sendo pago pelo Governo de Sergipe e defendeu que a remuneração precisa estar no salário-base, e não por “ajuste e complemento”.
Segundo Janderson, a categoria saiu de um período de forte sobrecarga pós-pandemia sem reconhecimento efetivo. “Palminha e tapinha nas costas é fácil. Bom é valorizar”, disse. Para ele, quando o piso é pago por complementação, o servidor “perde por completo”, tanto no presente quanto na aposentadoria, porque o valor não se incorpora aos cálculos do benefício e ainda impacta adicionais.
Piso “no base” e impacto em adicionais e aposentadoria
Na entrevista, o sindicalista explicou que, do modo como ocorre hoje, a complementação pode fazer com que o servidor leve menos para casa em situações que dependem do salário-base, como insalubridade e adicional noturno. “Se aposentar, não leva”, afirmou ao comentar o risco de o piso não refletir na renda futura do trabalhador.
Como contraponto, citou o caso de Nossa Senhora do Socorro, dizendo que o município aprovou o piso “na letra A” do plano de carreira, com atualização por níveis. Ele detalhou que o plano de carreira costuma avançar por letras, com progressões ao longo dos anos, o que faz diferença no contracheque e na trajetória funcional.
Mudança de nomenclatura na FHS: de auxiliar para técnico
Outro tema apresentado como prioritário pelo Sintasa é a mudança de nomenclatura de auxiliares para técnicos de enfermagem entre profissionais vinculados à Fundação Hospitalar de Saúde (FHS). Janderson afirmou que muitos trabalhadores já possuem formação técnica e, na prática, desempenham funções equivalentes. Para ele, a mudança seria, sobretudo, uma valorização financeira.
O presidente informou que a pauta vem sendo defendida há cerca de dois anos e estimou impacto de “quase R$ 2 milhões” ao ano, com aumento médio em torno de R$ 970 para os trabalhadores beneficiados, segundo os números citados durante o programa.
Isonomia para QPE e benefícios do acordo coletivo
Janderson também apontou como “injustiça” o fato de servidores do Quadro Permanente do Estado (QPE) lotados na FHS não receberem benefícios do acordo coletivo aplicado a outros grupos. Um exemplo citado foi o auxílio-alimentação, que, segundo ele, chegou a R$ 610 e teria começado em janeiro de 2022 com valor menor, enquanto trabalhadores QPE teriam ficado de fora.
“São quatro anos de injustiça”, afirmou, dizendo que o sindicato está cobrando isonomia e a correção do que considera distorções acumuladas.
PCCV: “quatro letras suprimidas”
Durante a entrevista, o presidente do Sintasa criticou ainda a alteração no Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV), alegando que foram “suprimidas quatro letras” sem avanço correspondente para quem já estava no serviço público. Ele exemplificou que novos concursados poderiam entrar em nível próximo ao de servidores com décadas de casa, o que, na visão do sindicato, exige revisão.
Relação com a Secretaria de Saúde e agenda com novo secretário
Questionado sobre a interlocução com a gestão estadual, Janderson avaliou que, entre os secretários anteriores, houve reuniões, mas “sem avanço significativo” para a base representada pelo Sintasa. Ao falar do novo secretário, Jardel Mitermayer, ele afirmou que o sindicato já teve duas reuniões com a equipe em menos de 15 dias: uma em 14 de janeiro e outra em 15 de janeiro, esta última em uma mesa de negociação com outros sindicatos.
Segundo o presidente, ficou indicada uma nova rodada para 26 de fevereiro de 2026, quando o secretário apresentaria devolutivas sobre as pautas. O sindicalista também mencionou uma nova reunião de mesa marcada para a próxima quinta-feira, às 15h.
Serviços aos filiados e “Sintasa Itinerante”
Além da pauta reivindicatória, Janderson destacou ações voltadas aos filiados, como atendimentos e parcerias. Ele listou serviços que, segundo ele, foram retomados ou implantados na atual gestão, incluindo atendimento jurídico, além de iniciativas em saúde e bem-estar (como psicologia e nutrição, citadas no programa), e mencionou parceria para lazer com condições especiais.
O presidente informou que o Sintasa representa cerca de 16 mil trabalhadores no estado, e defendeu que o sindicato pretende ampliar presença nas unidades com o “Sintasa Itinerante”, levando atendimentos a regionais, como Própriá.
Perguntas do público: OS, SAMU e Hospital do Câncer
Durante a transmissão, internautas levantaram dúvidas sobre terceirização, Organizações Sociais (OS) e o SAMU, além de comentários sobre mudanças no atendimento em serviços como o Hospital do Câncer. Janderson afirmou que o sindicato acompanha a expansão de OS e citou que houve ajustes legais para garantir opção de permanência em unidades em alguns casos, defendendo que as transições não prejudiquem o servidor.
Ao final, o presidente agradeceu aos filiados, delegados de base e equipe do sindicato e reforçou que a entidade pretende retomar rotinas de visita às unidades para aproximar a direção da base.


